Publicado no Jornal do Tocantins em 19/10/2011
No dia 15 de outubro comemorou-se (ou deveria se comemorar) o dia do professor. É nesse dia que a imprensa, os governos e a sociedade voltam-se a ouvir os educadores e, geralmente fazer a mesma pergunta: o que comemorar? É no dia 15 de outubro (e somente nesse dia) que a sensibilidade direciona a todos para uma análise mais sensata de tudo o que (não) acontece na educação. Compreendemos que todos gostariam de ver e quem sabe até agir para que algo fosse realmente diferente, entretanto, não é o que se tem, não é o que acontece.
Todos pensam e vêem a educação como a melhor estratégia para o desenvolvimento, o meio mais eficiente de emancipação de uma pessoa ou mesmo de um povo, mas quando a reflexão convoca à ação, poucos são os que se dispõe. A maioria dos gestores, por exemplo, sempre tem belas mensagens e elogios aos profissionais nessa data festiva, alguns deixam as migalhas que definem como política de valorização e que são guardadas durante todo o ano, para anunciar no dia 15 de outubro.
No Tocantins, há bem pouco tempo foi implantado o Salto – Sistema de Avaliação do Tocantins, o qual evidenciou o fracasso das políticas desenvolvidas ao longo dos vinte e três anos do estado. Na publicação do resultado, o governo rapidamente encontrou a causa do problema: “má gestão das escolas e incompetência dos educadores na avaliação dos estudantes”, ou seja, aos profissionais coube mais uma vez a culpa, apenas a culpa.
Na semana que antecede o dia dedicado a homenagear os responsáveis pela nossa capacidade de ler o mundo, os governos fazem atrocidades em nome da “sustentabilidade do governo” e da lei de responsabilidade fiscal. Só para exemplificar, em Guaraí, a lei do piso salarial (lei nº 11738/2008) não é respeitada, o plano de carreira da categoria também não é cumprido e o governo municipal aguardaria o dia 15/10 para “anunciar uma coisa boa”, em Ponte Alta do Tocantins, um plano de carreiras é aprovado com total desrespeito à lei do piso e as leis do magistério (lei nº 11301/2006) e dos funcionários (lei nº 12014/2009) com uma tabela salarial que envergonha qualquer profissional sem formação alguma e, na rede estadual as “últimas da Seduc” que amplia o número de alunos por sala, promovendo o desrespeito aos profissionais e aos alunos que sequer podem terminar o ano letivo com tranquilidade e promove a desvalorização dos profissionais seja pelas más condições de trabalho ou pelo adoecimento que está por vir.
Por essas e outras razões, temos que debater a questão pedagógica, sem dissociar da questão sindical, pois se dependermos dos gestores, independente da questão partidária eles estarão sempre tentando salvar a sua gestão em detrimento dos direitos sociais e da qualidade da educação. É lamentável, mas nesse 15 de outubro, da boca dos educadores não sairam palavras de satisfação. Afinal, sem respeito e valorização, não tem comemoração!
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