terça-feira, 30 de agosto de 2011

RESPOSTA À REVISTA VEJA - TEXTO DE UMA PROFESSORA

Recebi esse texto por email e acho que o Brasi precisa ler o que escreveu essa professora. no minimo, ela realmente sabe o que ta falando...leia você tb!! Elis Raik

"Sou professora do Estado do Paraná e fiquei indignada com a reportagem da jornalista Roberta de Abreu Lima “Aula Cronometrada”.
É com grande pesar que vejo quão distante estão seus argumentos sobre as causas do mal desempenho escolar com as VERDADEIRAS  razões que  geram este panorama desalentador.
Não há necessidade de cronômetros, nem de especialistas  para diagnosticar as falhas da educação. Há necessidade de todos os que pensam que “os professores é que são incapazes de atrair a atenção de alunos repletos de estímulos e inseridos na era digital” entrem numa sala de aula e observem a realidade brasileira.
Que alunos são esses “repletos de estímulos” que muitas vezes não têm o que comer em suas casas quanto mais inseridos na era digital? Em que  pais de famílias oriundas da pobreza  trabalham tanto que não têm como acompanhar os filhos  em suas atividades escolares, e pior, em orientá-los para a vida? Isso sem falar nas famílias impregnadas pelas drogas e destruídas pela ignorância e violência, causas essas que, infelizmente, são trazidas para dentro da maioria das escolas brasileiras.
Está na hora dos professores se rebelarem contra as acusações que lhes são impostas. Problemas da sociedade deverão ser resolvidos pela sociedade e não somente pela escola.
Não gosto de comparar épocas, mas quando penso na minha infância, onde pai e mãe, tios e avós estavam presentes e onde era inadmissível faltar com o respeito aos mais velhos, quanto mais aos professores e não cumprir as obrigações fossem escolares ou simplesmente caseiras, faço comparações com os alunos de hoje “repletos de estímulos”.
Estímulos de quê?  De passar o dia na rua, não fazer as tarefas, ficar em frente ao computador, alguns até altas horas da noite, (quando o têm), brincando no Orkut, ou o que é ainda pior, envolvidos nas drogas. Sem disciplina seguem perdidos na vida.
Realmente, nada está bom. Porque o que essas crianças e jovens procuram é amor, atenção, orientação e disciplina.
Rememorando, o que tínhamos nós, os mais velhos,  há uns anos atrás de estímulos? Simplesmente: responsabilidade, esperança, alegria. Esperança que, se estudássemos, teríamos uma profissão, seríamos realizados na vida. Hoje, os jovens constatam que, se venderem drogas, vão ganhar mais. Para quê o estudo? Por que numa época com tantos estímulos não vemos olhos brilhantes nos jovens? Quem, dos mais velhos, não lembra a emoção de somente brincar com os amigos,  de ir aos piqueniques, subir em árvores?
E, nas aulas, havia respeito, amor pela pátria. Cantávamos o hino nacional diariamente, tínhamos aulas “chatas” só na lousa e sabíamos ler, escrever e fazer contas com fluência.
Se não soubéssemos não iríamos para a 5ª. Série. Precisávamos passar pelo terrível, mas eficiente, exame de admissão. E tínhamos motivação para isso.
Hoje, professores “incapazes” dão aulas na lousa, levam filmes, trabalham com tecnologia, trazem livros de literatura juvenil para leitura em sala-de-aula (o que às vezes resulta em uma revolução),  levam alunos à biblioteca e a outros locais educativos (benza, Deus, só os mais corajosos!) e, algumas escolas públicas onde a renda dos pais comporta, até passeios interessantes, planejados minuciosamente, como ir ao Beto Carrero.
E, mesmo, assim, a indisciplina está presente, nada está bom. Além disso, esses mesmos professores “incapazes”,  elaboram atividades escolares como provas, planejamentos, correções nos fins-de-semana, tudo sem remuneração.
Todos os profissionais têm direito a um intervalo que não é cronometrado quando estão cansados. Professores têm 10 minutos de intervalo, quando têm de escolher entre ir ao banheiro ou tomar às pressas o cafezinho. Todos os profissionais têm direito ao vale alimentação, professor tem que se sujeitar a um lanchinho, pago do próprio bolso, mesmo que trabalhe 40h semanais. E a saúde? É a única profissão que conheço que, embora apresente atestado médico, tem que repor as aulas. Plano de saúde? Muito precário.
Há de se pensar, então, que  são bem remunerados... Mera ilusão! Por isso, cada vez vemos menos profissionais nessa área, só permanecem os que realmente gostam de ensinar, os que estão aposentando-se e estão perplexos com as mudanças havidas no ensino nos últimos tempos e os que aguardam uma chance de “cair fora”.Todos devem ter vocação para Irmã Dulce, porque por mais que  esforcem-se em ministrar boas aulas, ainda ouvem alunos chamá-los de “vaca”, ”puta”, “gordos", “velhos”, entre outras coisas. Como isso é motivante e temos ainda que ter forças para motivar. Mas, ainda não é tão grave.
Temos notícias, dia-a-dia,  até de agressões a professores por alunos. Futuramente, esses mesmos alunos, talvez agridam seus pais e familiares.
Lembro de um artigo lido, na revista Veja, de Cláudio de Moura Castro, que dizia que um país sucumbe quando o grau de incivilidade de seus cidadãos ultrapassa um certo limite.
E acho que esse grau já ultrapassou. Chega de passar alunos que não merecem. Assim, nunca vão saber porque devem estudar e comportar-se na sala de aula; se passam sem estudar mesmo, diante de tantas chances, e com indisciplina... E isso é um crime! Vão passando série após série, e não sabem escrever nem fazer contas simples. Depois a sociedade os exclui, porque não passa a mão na cabeça. Ela é cruel e eles já serão adultos.
Por que os alunos do Japão estudam? Por que há cronômetros? Os professores são mais capacitados? Talvez, mas o mais importante é  porque há disciplina.
E é isso que precisamos e não de cronômetros.  Lembrando: o professor estadual só percorre sua íngreme carreira mediante cursos, capacitações que são realizadas, preferencialmente aos sábados. Portanto, a grande maioria dos professores está constantemente estudando e aprimorando-se.
Em vez de cronômetros, precisamos de carteiras escolares, livros, materiais, quadras-esportivas cobertas (um luxo para a grande maioria de nossas escolas), e de lousas, sim, em melhores condições e em maior quantidade.
Existem muitos colégios nesse Brasil afora que nem cadeiras possuem para os alunos sentarem. E é essa a nossa realidade!  E, precisamos, também, urgentemente, de educação para que tudo que for fornecido ao aluno não seja destruído por ele mesmo
Em plena era digital, os professores ainda são obrigados a preencher os tais livros de chamada, à mão: sem erros, nem borrões  (ô, coisa arcaica!), e ainda assim se ouve falar em cronômetros. Francamente!!!
Passou da hora de todos abrirem os olhos  e fazerem algo para evitar uma calamidade no país, futuramente. Os professores não são culpados de uma sociedade incivilizada e de banditismo, e finalmente, se os professores  até agora  não responderam a todas as acusações de serem despreparados e  “incapazes” de prender a atenção do aluno com aulas motivadoras é porque não tiveram TEMPO. "
Responder a essa reportagem custou-me metade do meu domingo, e duas turmas sem as provas corrigidas.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

MAIS UM SALTO NA CULPABILIZAÇÃO DOS EDUCADORES

Elis Raik Miranda de Carvalho – elisraik@gmail.com
Publicado no Jornal do Tocantins de 12 de agosto de 2011

Como pudemos acompanhar pela imprensa local foi divulgado no ultimo dia 10 de agosto o resultado do SALTO- Sistema de Avaliação da Educação do Estado do Tocantins. O resultado, como tem sido os resultados de todas as avaliações da educação tocantinense, não agradou a ninguém e, mais uma vez “a culpa é dos professores”.
Os números não surpreendem, pelo contrário, essa realidade já vem sendo anunciada pelos educadores ao longo dos últimos anos. Quando ocupam as ruas, quando fazem greves ou ainda quando tem a oportunidade de conversar com o governo e com a sociedade, os educadores sempre denunciam que a educação vai mal e principalmente que o sistema precisa ser repensado.
A avaliação dos alunos, a formação dos educadores, a infraestrutura escolar e várias outras necessidades educacionais sempre foram decididas de forma unilateral e imposta pelas secretarias de educação como sendo a grande descoberta do século para as questões de reprovação e de falta de qualidade no processo de ensino-aprendizagem. De modo que ao professor sempre coube apenas a execução, com poucos e inaudíveis questionamentos.
Quando o governo diz que não temos problemas de infraestrutura percebemos que ele tenta minimizar o grave fato de que ainda existem muitas escolas estaduais construídas com placa de cimento, dentre outros problemas.Como é o caso das escolas Pedro Ludovico Teixeira e Juscelino Kubitschek das cidades de Colmeia e Sítio Novo, respectivamente (só para citar algumas). Quando afirma que a formação é um problema também não demonstra muita preocupação em resolver, pois desenvolveu um programa de formação, na Flit, durante as férias dos professores. Quando afirma que os professores são muito bem remunerados desconsidera o custo de vida do Tocantins e tenta nos constranger com o sentimento de que recebemos mais que merecemos.
Por fim, temos que refletir sobre a real situação da educação no estado e tentar resolver os problemas de forma colaborativa, sem arrogância, considerando a autonomia dos sistemas e, principalmente, respeitando os atores e sujeitos do processo. Acreditamos que conseguiremos, pois o reajuste de 57% concedido aos secretários de estado tem dados resultados, afinal após 23 anos de fracassos, a educação tocantinense ganha um Guia de Aprendizagem. Quem sabe agora os professores aprendem! 

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Prefeito sanciona reajuste de 2,98% para professores


Luana Fernanda - DO JORNAL DO TOCANTINS - DIA 12 DE AGOSTO DE 2011


A Câmara de Vereadores aprovou, na quarta-feira, em sessão ordinária, um projeto de lei que altera o Plano de Cargos, Carreira e Remuneração dos profissionais da Educação Básica do Município de Palmas. Conforme o projeto, que já foi sancionado pelo prefeito Raul Filho (PT), os professores da Capital passam a ter o seu salário equiparado ao piso nacional da categoria. Percentualmente, o reajuste ficou 2,98%. Segundo Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Estado do Tocantins (Sintet), o aumento, que será pago de forma retroativa a janeiro deste ano, contempla cerca de 2,5 mil profissionais.
Com a mudança, o subsídio dos professores de 40 horas semanais varia de R$ 1.187,23 (professores nível I, com vencimento básico) a R$ 3.968,15 (professores nível III, classe L). Para os professores de 20 horas semanais, o salário vai variar de R$ 593,62 a R$ 1.984,07 (confira quadro abaixo). O reajuste não se aplica à remuneração dos cargos em comissão ou às funções gratificadas.
Antes do reajuste, o salário dos professores municipais que cumprem 40 horas semanais variava de R$ 1.152,57 a R$ 3.853,32. Deste modo, em dinheiro, os reajustes ficaram entre R$ 34,66 a R$ 114,83. Já para os educadores que trabalham 20 horas semanais, o salário variava de R$ 576,44 a R$ 1.926,66, o que representa um reajuste entre R$ 17,18 a R$ 57,41.O percentual de 2,98% de reajuste se aplica a todas as outras categorias de professores - assistente A, assistente B, assistente C e assistente D.




De acordo com o secretário-geral do Sintet, Elis Raik Miranda de Carvalho, a categoria, em concordância com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), defende um piso salarial de R$ 1.597,87. "Nós não estamos satisfeitos. Nós defendemos um reajuste de 37,07% e isso não aconteceu com a aprovação desse projeto, pois a prefeitura aprovou um aumento de somente 2,98%. A prefeitura alegou não ter recursos", afirmou.
O secretário ainda destacou que em uma reunião com a prefeitura, o sindicato cobrou adequação ao piso salarial profissional nacional, que é de R$ 1.597,87. Contudo, o órgão não concordou e apenas garantiu que o reajuste seria retroativo a janeiro deste ano.
Segundo Carvalho, os professores estão desde junho aguardando o acordo feito com a prefeitura ainda em abril. No entanto, ele destaca que semente esta semana o projeto foi votado pelo Legislativo. "Portanto, o Sintet esclarece que não há nada de novo nessa aprovação que, inclusive acontece muito depois do que foi acordado com a direção, esperamos que seja definido rapidamente e que o pagamento do retroativo ocorra o quanto antes", acrescentou.
O secretário também ressaltou que a categoria irá realizar na próxima terça-feira, em Palmas, em frente ao Sintet, uma paralisação em defesa dos planos de carreiras, remuneração justa, gestão democrática e valorização dos educadores. "Por enquanto, será só uma paralisação de alerta. Embora os professores de Palmas tenham deliberado estado de greve, em uma reunião realizada em maio, mas ainda não tem nada previsto", frisou.



O Jornal do Tocantins tentou contato várias vezes na tarde de ontem com o secretário da Educação, Zenóbio Júnior, mas as chamadas para seu celular foram direcionadas à caixa de mensagem.