quarta-feira, 16 de março de 2011

Quem é mais importante: um vereador, um prefeito ou um educador?

publicado no Jornal do Tocantins no dia 25 de fevereiro de 2011

Parece estranho fazer uma pergunta dessas. É como se quiséssemos negar a importância de trabalhadores de inúmeras outras áreas de atuação que contribuem tanto para que tenhamos uma sociedade cada vez menos carente de serviços e produtos essenciais à sobrevivência humana. Entretanto, ao pedir licença aos demais profissionais, que ressalto são importantíssimos, quero chamar a atenção para algo vivenciado recentemente em Palmas e meses antes no Congresso Nacional, quando parlamentares reajustaram seus próprios salários e também do poder executivo a percentuais exorbitantes.

              No final do ano de 2010, os educadores da rede municipal de Palmas, cansados da postura arrogante, autoritária e em muitos pontos desumanas do Governo Municipal representadas na gestão escolar e com uma defasagem salarial enorme em comparação com capitais onde o índice de desenvolvimento da educação nem são tão expressivos ou até mesmo com a rede estadual de educação do Tocantins, saíram às ruas exigindo respeito e valorização.

              Durante todo o ano, o Prefeito se ausentou dos debates, deixando-o para o Secretário da Educação que apresentou uma inexplicável incompetência em resolver o impasse e um total descomprometimento com o reconhecimento pelo trabalho dos educadores, o que acabou por provocar uma greve de duas semanas, suspensa por uma liminar concedida por um desembargador que dias depois seria afastado por suspeita de corrupção.
             
              Mesmo tendo ao final do ano o julgamento da greve como legítima, os educadores preferiram manter o compromisso com a educação palmense e procuraram, novamente, o diálogo com o Executivo que novamente alegou não ter recursos suficientes para atender a pauta.

              Nos telejornais vemos todos os dias, Palmas numa situação lamentável “totalmente sem recursos” até pra tapar buracos de ruas, entretanto véspera de uma grande festa tradicional, cancelada também por “falta de recursos”, tivemos que assistir aos nobres vereadores reajustarem seus próprios salários e do prefeito em mais de 60%.

              É com essa indignação (que não é apenas dos educadores) que queremos perguntar: qual trabalho é mais importante? Em qual profissão ou função se tem mais responsabilidade? Quem investiu mais pra ser o que é? Quem teve que se preparar mais? Não parece justo responder essas questões, pois, todos somos fundamentais à sociedade. Então, permitam-me mais uma pergunta: é justo um profissional com a mesma formação receber 35 vezes mais que o outro? Sem respostas, faço um desafio: 20% do salário do prefeito para os educadores palmenses, que diferentemente do chefe do executivo local, por esforço e vontade colocaram a cidade entre as mais bem vistas do país quando se trata da educação.

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